O HOLOCAUSTO BRASILEIRO

Ah... Meu pessimismo e ateísmo estavam, vamos dizer, arrefecidos... Coube à "cordialidade" do brasileiro acordá-los. Barbacena nunca mais!

Leituras que fortalecerão o nosso pessimismo.

  • "As Intermitências da Morte" de Saramago
  • "Os Ratos" de Dyonélio Machado

27.9.08

Para não nos esquecermos...


"No dia 6 de agosto de 1945, precisamente às oito e quinze da manhã, hora do Japão, quando a bomba atômica explodiu sobre Hiroshima..."

"Então um imenso clarão cortou o céu... se lembraria nitidamente de que o clarão partiu do leste em direção ao oeste, da cidade em direção às montanhas. Parecia um naco de sol."

"... um clarão de um branco intenso, de um branco que nunca tinha visto até então, iluminou todas as coisas."

"E então viu o clarão, que na posição em que se achava -...-, pareceu-lhe de um amarelo intenso."

"Ao ver o terrível clarão - que, diria mais tarde, lembrou-lhe uma história que lera na infância, sobre a colisão de um meteoro imenso com a Terra..."

"... o clarão da bomba refletiu no corredor como um gigantesco flash fotográfico."

"... um clarão ofuscante encheu a sala."

O texto recortado é de autoria de John Hersey. Seu livro-reportagem "Hiroshima" descreve o exato momento em que seis sobreviventes japoneses começam a viver o inferno aqui na terra, após a explosão da bomba atômica que matou centenas de milhares de pessoas.

É impossível imaginarmos o terror que brotou dos céus e se espalhou pela cidade de Hiroshima. Terror que, ao menos, a reportagem tenta descrever para que não percamos de vista o poder descomunal destrutivo da energia atômica.

26.9.08

Para nunca esquecermos...






"Pensem nas crianças Mudas telepáticas Pensem nas meninas Cegas inexatas Pensem nas mulheres Rotas alteradas Pensem nas feridas Como rosas cálidas Mas, oh, não se esqueçam Da rosa da rosa Da rosa de Hiroshima A rosa hereditária A rosa radioativa Estúpida e inválida A rosa com cirrose A anti-rosa atômica Sem cor sem perfume Sem rosa, sem nada." (Vinícius de Moraes)

O hipócrita do ser humano tenta descrever o inferno com belas imagens e belos poemas.

Transforma um passado tenebroso em belos registros.

Mas não nos deixemos cair em esquecimentos e lembremos sempre que em Hiroshima e Nagasaki o inferno deixou de ser literatura cristã para entrar para a real história da maldade humana.

Jamais seremos capazes de descrever tal inferno.

20.9.08

Urso







12.9.08

Ostra


"A vida de um homem tem tanta importância para o universo quanto a vida de uma ostra". (Hume)

6.8.08

22.4.08

Rodolfo Mayer

A doutor arnaldo resplandescia o sol da tarde.

Após descer do ônibus, ao tocar o chão da calçada, na retidão da avenida, já percebia ao longe o caminhante vago.

Sôfrego.

Passos calados envoltos pelas elegantes vestes, talvez de festas tristes.

Em poucos segundos o velho aproximava-se, crescendo aos meus olhos.

Eu o reconheço rapidamente: é rodolfo mayer, o mesmo de as escadas.

- Difícil, é muito difícil morrer... É, eu tenho a impressão de ter passado a vida morrendo.

Compassadamente, sem se importar com as folhas secas que caíam das árvores e com os carros que vociferavam ao vento, o homem caminhou seu caminho sem se importar com os meus olhos.

6.6.07

Mãe


Tudo é muito grande
Prá meu olhar pequeno.

O verde das montanhas
Ao longe...
Desce pelos vales,
Vence o riacho,
E morre ao pé das poucas ruas do vilarejo,
Soberano no espigão.

As casas insinuam-se ao sabor do relevo:
Como uma frágil cerca de balaustres
Envolvem a igreja,

Que, enraizada na terra escura,
Ergue-se impassivelmente vigorosa.
(Olho de Deus a me fitar ameaçadoramente)

Um dos balaustres
É minha casa.

Não, não estou triste.
Mas estamos todos tristes.

O pai enleva-se aos prantos:
Eduardo estendido inerte
Naquele caixão pequeno
Sobre a grande mesa
Naquela imensa sala.

- Olha filho, seu irmão está morto.

Pai, seu sentimento é o meu, nada mais.

Mãe, não a vi chorar, mãe!

A Natália, sim.
O pai, sim.
O tio, sim.
A vila toda, sim.
Talvez, o austero Deus também.

Eu, com meu olhar pequeno,
Como a mãe, não chorei.

18.4.07

Outra vez...!!!!

GOYA - "Saturno Devorando seu Filho", 1819

TUDO IGUAL COMO DANTES NO QUARTEL DE ABRANTES.....................................................................................................................................................




da Folha Online


Uma série de ataques atingiu Bagdá nesta quarta-feira, matando ao menos 163 pessoas. No pior atentado, uma bomba deixada dentro de um ônibus explodiu em Sadriya, um dos principais bairros xiitas da capital, matando 118 pessoas e ferindo mais de cem. A ação foi a que deixou mais vítimas desde 3 de fevereiro, quando a explosão de um caminhão-bomba matou 135 pessoas e feriu 305 na mesma região.Em outro ataque, um carro-bomba conduzido por um suicida causou 30 mortes nas proximidades de um posto de checagem em Sadr City, bairro predominantemente xiita na periferia de Bagdá que abriga a base do clérigo Moqtada al Sadr. Ele prega a saída dos americanos do Iraque. Um terceiro carro-bomba matou outros dez em Bagdá.

Iraquianos cercam carros destruídos em Bagdá; três ataques matam ao menos 115. Outros 11 civis morreram e 13 ficaram feridos após a explosão de um carro-bomba perto de um hospital e um mercado em Karradah, no centro de Bagdá. Em outro atentado, quatro policiais morreram e seis civis ficaram feridos quando um carro-bomba atingiu um posto de controle da polícia iraquiana ao sul de Bagdá."A rua se transformou em uma piscina de sangue", afirmou Ahmed Hameed, dono de uma loja na região de Sadriya. Uma coluna de fumaça negra cobriu a área. Bombeiros tentavam controlar as chamas enquanto equipes de resgate retiravam corpos de veículos atingidos."Eu vi dezenas de corpos. Algumas pessoas foram queimadas vivas dentro de microônibus. Ninguém conseguia retirá-las após a explosão", afirmou uma testemunhas em Sadriya."Havia pedaços de corpos espalhados por todo o local. Mulheres gritavam", acrescentou.SegurançaOs atentados ocorreram horas depois que o premiê iraquiano, Nouri al Maliki, afirmou que tropas iraquianas assumirias o controle da segurança do país até o final deste ano. Maliki sofre intensa pressão para que as tropas americanas deixem o país, mas a explosão de ao menos cinco bombas nesta quarta-feira apontam os graves problemas na segurança.Os ataques podem acirrar a tensão sectária em Bagdá, principalmente entre os membros do Exército de Mehdi. Seis ministros ligados a Al Sadr deixaram o governo iraquiano na segunda-feira (16) para pressionar pela retirada dos 146 mil soldados dos EUA no Iraque.Bagdá vem sendo cenário de violência sectária desde o atentado contra uma mesquita xiita em Samarra em 22 de fevereiro. TropasEm discurso para marcar a entrega do controle da segurança da Província de Maysan (sul) ao Iraque, assessor para a Segurança Nacional, Mowaffaq al Rubaie, afirmou que três Províncias do Curdistão serão as próximas a serem entregues, seguidas de Kerbala e Wasit."Depois, Província por Província será entregue até o final deste ano", disse Al Rubaie.Maysan é a quarta das 18 Províncias iraquianas a serem entregues ao controle das forças iraquianas, depois de Muthanna, Najaf e Dhi Qar, todas regiões xiitas do sul do Iraque.No entanto, Maliki afirmou que forças iraquianas somente assumirão o controle total quando estiverem preparadas. "Alguns exigem um cronograma para o fim da presença estrangeira no Iraque", disse Maliki em discurso em Amara, capital de Maysan, 365 ao sul de Bagdá."Eu digo a eles que essa é a exigência de todos os iraquianos, e que estamos trabalhando para criar as circunstâncias para a retirada", acrescentou o premiê.

11.4.07

Desobedecer para não desaparecer


Criaturas pessimistas.
As imagens foram colhidas da capa e contra-capa do livro "Pôrto Calendário" de Osório Alves de Castro, feitas por Edgar Koetz. Osório Alves de Castro ousou, em 1961, escrever de forma subversiva sobre o Nordeste espoliado e o sertanejo esquecido. Insubmisso aos cânones arraigados em nossos escritores e ditados pelas literaturas alienígenas - a francesa em especial -, Osório revelou-se como um Antonio Conselheiro das letras ante a força das armas da República ou a força da mídia que também aniquila. Felizmente ele não sucumbe: sua obra está por aí para quem quiser conhecê-la.

O texto de Oscar Wilde mostra-nos um pouco do que foi a pequena obra de Osório. Mudaremos nossa história se desobedecermos sempre, ou como diria o grande pessimista Fernando Pessoa: "Ser descontente é ser homem."

Vejam as primorosas palavras do Oscar Wilde, extraídas do livro "The Soul of Man Under Socialism", 1891:

"Desobediência: A Virtude Original do Homem"

"Qualquer pessoa que tenha lido a história da humanidade aprendeu que a desobediência é a virtude original do homem. O progresso é uma consequência da desobediência e da rebelião. Muitas vezes elogiamos os pobres por serem econômicos. Mas recomendar aos pobres que poupem é grotesco e insultante. Seria como aconselhar um homem que está morrendo de fome a comer menos; um trabalhador urbano ou rural que poupasse seria totalmente imoral. Nenhum homem deveria estar sempre pronto a mostrar que consegue viver como um animal mal alimentado. Deveria recusar-se a viver assim, roubar ou fazer greve - o que para muitos é uma forma de roubo.

Quanto à mendicância, é muito mais seguro mendigar do que roubar, mas é melhor roubar do que mendigar. Um pobre que é ingrato, descontente, rebelde e que se recusa a poupar terá, provavelmente, uma verdadeira personalidade e uma grande riqueza interior. De qualquer forma, ele representará uma saudável forma de protesto. Quanto aos pobres virtuosos, devemos ter pena deles mas jamais admirá-los. Eles entraram num acordo particular com o inimigo e venderam os seus direitos por um preço muito baixo. Devem ser também extraordinariamente estúpidos. Posso entender que um homem aceite as leis que protegem a propriedade privada e admita que ela seja acumulada enquanto for capaz de realizar alguma forma de atividade intelectual sob tais condições. Mas não consigo entender como alguém que tem uma vida medonha graças a essas leis possa ainda concordar com a sua continuidade.

Entretanto a explicação não é difícil, pelo contrário. A miséria e a pobreza são de tal modo degradantes e exercem um efeito paralisante sobre a natureza humana, que nenhuma classe consegue realmente ter consciência de seu próprio sofrimento. É preciso que outras pessoas venham apontá-lo, e mesmo assim muitas vezes não acreditam nelas. O que os patrões dizem sobre os agitadores é totalmente verdadeiro. Os agitadores são um bando de pessoas intrometidas que se infiltram num determinado segmento da sociedade muito satisfeito com a situação em que vive e semeiam o descontentamento nele. É por isso que os agitadores são necessários. Sem eles, em nosso Estado imperfeito, a civilização não avançaria."

13.2.07

Pessimismo que não deixa esquecer.

Pessimistas amigos!!! e otimistas (ini)amigos!!!
O homem perdeu de vez a compostura.
Relembremos os casos desumanos recentes nas fotos abaixo.
O pessimista é aquele que não esquece e não deixa esquecer.












29.12.06

O ano que nunca termina


QUERIA DIZER MUITAS COISAS, CAROS PESSIMISTAS.
MAS O MUNDINHO CONTINUA NA MESMA, SAI ANO, ENTRA ANO. OS TEXTOS E AS FOTOS ABAIXO RELEMBRAM-NOS NOSSA MESQUINHEZ AO TRATAR DO ASSUNTO. A FOME É REAL NO MUNDO.
ELA FOI PASSADO, ELA É PRESENTE E SERÁ FUTURO.
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"SOMOS MAIS RATOS DO QUE OS PRÓPRIOS RATOS"

Publicado na Folha de S.Paulo, terça-feira, 18 de outubro de 1994

“Da Agência Folha, em Recife
Maria das Dores da Conceição, 40, vive de catar lixo no aterro sanitário de Timbaúba e diz que come rato ``desde pequena''.
``O que tiver aí (aponta para o lixão) a gente come para não morrer de fome'', disse.
Com oito filhos que, segundo ela, também comem rato, Maria da Conceição afirma que nunca ficou doente por causa da comida.
De acordo com ela, a única coisa que as pessoas de sua família sentem é dor de cabeça, às vezes, mas ``por causa do sol''. ``Dor de barriga mesmo nunca deu'', afirmou ela.
A catadora de lixo captura os ratos que se escondem em buracos no depósito de lixo e depois cozinha os animais em uma fogueira.
O ``acompanhamento'' depende do que vier no lixo. Maria das Dores diz que varia de batata até cabeça de galinha.
``Nós somos mais ratos do que os próprios ratos'', afirma. A seguir, trechos da entrevista de Maria da Conceição à Agência Folha ontem à tarde.
Agência Folha - Você come os ratos que vivem no lixo?
Maria das Dores da Conceição - Como. Eu e todo mundo aqui. Não temos condições de comer outra coisa, então comemos rato para não morrer de fome.
Agência Folha - Como é que vocês comem o rato?
Maria - A gente pega o rato, joga na fogueira e raspa o cabelinho. Depois abre a barriga, tira as tripas, a cabeça e os pés, lava, põe sal e cozinha na brasa. Faço com batata, cabeça de galinha, o que vier no lixo.
Agência Folha - Alguém já foi mordido por um rato ou passou mal depois que comeu?
Maria - Nunca ninguém passou mal por causa da comida. A gente sente uma dor de cabeça às vezes, mas é do sol. Dor de barriga mesmo nunca deu. Nós somos mais ratos do que os próprios ratos

CIRCULO DE DANTE

Publicado na Folha da Manhã, segunda-feira, 19 de Abril de 1926

“Nas ruas de S.Paulo, nos mais febril dos bairros paulistas, no Braz morre-se de fome, em plena luz do sol! Morre-se de fome e não ha, sinão da parte dos operarios de lá, quem soccorra, quem se ponha em pé e brade em prol dos agonizantes do pão. Si o caso se passasse nos presídios de quasi além fronteiras, no extremo norte do paiz, a distancia haveria de minorar a desolação da verdade e muitos jornaes chamariam pelos infelizes, como se agitaria a organizada e ostentatoria caridade paulista. Entretanto, a fome trucida corpos a dois passos do centro, nas ruas adjacentes á Immigração. A fome abate ahi corpos de creanças inermes, de mulheres indefesas, de velhos que se esturram ao nosso sol, que se afogam no lamaçal daquellas sargetas, inanidos pelo jejum dolosso de não ter, de não saber imploral-o, porque desconhecem a lingua do paiz. E cá em cima quem se lembra delles, na hora farta da mesa lauta e bem regada? Quem dentre os directores de associações de caridade já se moveu até á Moóca para "de visu" verificar a mentira das noticias que certos interessados espalham na cidade? Onde a obra dos catholicos dos protestantes, dos espiritas, de todos que se dizem imitadores de Christo, caritativos dos momentos de effeito, nunca, porém, dos instantes necessarios? Nestes dias em que os moradores daquele bairro se affligem com a dolorosa visão de creança a agonizar nas calçadas, febrentas, com sarampo; quando os proprios encarcerados da Immigração protestar e clamam contra a perseguição que se move a esses pobres camponezes da Bessarabia, qual foi a representante da Cruz Vermelha, da Cruz Verde e não sabemos que outras côres, das senhoras catholicas ou de Therezinha de Jesus, que por lá surgiu, expondo-se a macular da lama os seus tacões a Luis XV?
Agora é que a caridade deveria fulgir, divino, a levar o conforto mais commum, um pedaço de pão, a esses homens, christãos e humanos como nós, que se extertoram nas garras da fome e da miseria mais completa. Agora seria o momento... e comtudo, justamente aquelles que menos podem, os operarios das fabricas, é que têm sido os unicos a surgir nesse quartel de desgraça humana. Num barracão, ao lado, uma familia de trabalhadores pauperrimos, acolhem um grupo desses infelizes: hontem, falleceram alli, duas creanças inanidas. Numa rapida vísita que lhe fizemos, veio-nos ao encontro um menino: a pelle parecia de pecego, sem sangue e mirrada; as pernas eram dois birros e tremia de febre, de fome. Pelas calçadas, moças desalentadas se estiravam, sem animo até para pedir. Amontoados e famintos, tresandam horrivelmente, ameaçando um epidemia virulenta. Pequeninos de alguns annos roiam pedaços de cenoura crua, pondo as mãosinha supplices aos que passavam. O nosso espanto foi crescendo á medida que penetravamos naquelle circulo de Dante, mas, odne cresceu de horror foi ao encontrarmos, entre esses extrangeiros sem pão, brasileiros, caboclos, pretos, esfaimados também. Ouçam, paulistas que se dizem christãos, ouçam e se quizerem certificar-se, vão até lá - entre extrangeiros que morrem de fome, em pleno coração de S.Paulo, ha brasileiros, ha outros paulistas que padecem da mesma falta de pão. Mas será crivel que até agora sejamos nós os unicos presenciadores de tamanha afflicção? E vós, senhores, que tendes filhos, que tendes mãe, porque não ides a essas pavorosas immediações da Immgração? Ide e se não chorardes, não sois brasileiros, porque não tendes coração. Alguem vos haverá dito que esses famintos são maus, são salteadores de lares de transuentes, nas ruas. Mentira! Ao redor dessa miseria toda, em frente a esse cemiterio onde agonizam e morrem de fome, ha botequins, ha negocios, ha padarias, há tudo e até hoje, uma fructa siquer desappareceu. E se elles roubassem para não morrer de inanição? A propria moral catholica o permittiria e o proprio Christo assim fez outróra. A verdade é que, em S. Paulo, no Braz, pelas ruas adjacentes á Immigração, morre-se de fome. Morrer de fome no Brasil!!! É espantoso, é horroroso! Morrer de fome em S. Paulo!... é uma afronta ao nosso coração.”

ETIÓPIA: 6 MILHÕES DE FAMINTOS


FOME MATA UMA CRIANÇA A CADA CINCO SEGUNDOS NO MUNDO



O SÉCULO DA FOME (OU TODOS OS SÉCULOS DA FOME)


38 MILHÕES DE FAMINTOS NA ÁFRICA

A POPULAÇÃO DA ETIÓPIA SOFRE COM A FOME


3,5 MILHÕES DE FAMINTOS NO QUÊNIA

CORÉIA DO NORTE SOFRE COM A FOME


A FOME NO AFEGANISTÃO


FOME ATÉ NA ARGENTINA


... O TEMPO CORRE, MAS A IMAGEM DO PASSADO NÃO DEIXA A FOME MENTIR.


A FOME É PRÁ MUITOS...

A FOME É PRÁ MUITOS...

A FOME É PRÁ MUITOS...

E MATA!!!


Textos da Folha, imagens da BBC-BRASIL e GOOGLE.

3.12.06

Eles nos espreitam esperando a hora de nos "baionetar".

O Triunfo da Morte, Pieter Brueghel, o Velho (1572)

Amigos pessimistas.
Estamos tristíssimos.
Pinochet morreu e não alimentará nem mesmo os vermes de que fala Machado, em Memórias Póstumas.
O mundo melhorou um pouquinho, mas não nos iludamos.
Seus adeptos nos espreitam pelos canos de seus fuzis, com as baionetas alertas.
Eles fortalecem o nosso pessimismo.
Ufa! Ainda bem!
A história explica.

1964

I
Céu azul
Sobre um mar de sonhos: nós.

II
Mas, minha nuvem favorita
Esgueirou-se lá prás bandas do inferno.
Voou, assim, como um pássaro ferido,
Impelido por um vento esquisito.

III
Céu metálico

Sobre prédios cinzentos: eles.

IV
Uma casa desabitada,
Uma carapaça oca: nós.

V
Ah!!!!
A esperança.
Ela morreu
Na barriga inchada de nossas mães.

Buê/1981

24.11.06

Comentem... Comentem... Comentem... mesmo que anonimamente.

Caro Pessimista.
Vá lá que o humanóide queira destruir sua casa, mas quantas vezes? O arsenal bélico nuclear poderá destruir a terra muitas vezes. Ora, não basta uma destruição, só? Eles querem ter a certeza de que não sobrará um grão de pó dos terráqueos para contar a história.
Clique no endereço avermelhado e veja como tudo começou ou terminará.

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraDownload.do?select_action=&co_obra=2220&co_midia=6

Para completar o péssimo dia de ontem: somente no Iraque 160 pessimistas perderam a vida da forma mais cruel - boooooommmm!!!!!, hoje veiculo algumas palavras do Franco, que escapuliu para sete palmos no mês passado. Grande pessimista e................ amigo.

NO LIMIAR DA PERNÍCIE

I

O Apocalípse baixou
Tudo se findou
E o Mundo acabou...
Fetos deixaram-se ficar
Vagando pela Imaginação
Repleta de Ovários ambulantes.
Excrementos fétidos
Misturando-se com almas
Na Via-Láctea da Fantasia
Formavam Monstros de Tédio e Esperma.
Ecos de gritos de adolescentes
Pervertidos ressoam nos Ouvidos
Da Imensidão do Desespêro.
Auroras desenham Trombetas
De Delírios anunciando
O Tempo Ressurgido
Dos Subterrâneos da Pureza
Amortalhada pela Cáos
Do desnudo Desprêzo
Do fundo do meu Asco!

Franco, 26-2-66

15.11.06

Rattus Rattus; Rattus norvegicus; Mus Musculus


"Os Ratos" de Dyonélio Machado, livro de 1936, marca o seu tempo e se perpetua pelos nossos dias: sua atualidade está no fato de narrar o cotidiano terrível de um ser humano que busca incessantemente resolver um problema banal: pagar o leiteiro e ficar de olho nos ratos que talvez o assaltem.

Caríssimo amigo pessimista, antes do livro, como você se sentiria ao ser chamado de rato? Como pessimista seria um privilégio; como outro qualquer estaria esbravejando aos quatro ventos sua indignação.

Mas antes do livro e de sua resposta, veja o que o dicionário - pai de todos os burros, pessimistas ou otimistas - nos diz do pobre bichinho: "Rato, s.m. Designação de mamíferos roedores cujas espécies mais comuns são: o rato-doméstico (Rattus Rattus (Lin.)), o ratazana de esgoto (Rattus norvegicus (Lin.)), o rato-calunga (Mus Musculus (Lin.)) etc; larápio, ratoneiro; - de biblioteca: indivíduo maníaco por investigações em biblioteca e arquivos; - de hotel: gatuno que age nos hotéis; - de sacristia: carola que anda sempre nas igrejas e sacristias; - adj. da cor do rato: cavalo rato; excêntrico; ridículo."
Tais mamíferos roedores servem à ciência, desde épocas remotas, como cobaias para as pesquisas de cientistas que buscam a cura para as doenças. Está escrito em algum lugar que, na falta do rato, o ser humano seria acometido por muitas doenças que acabam primeiramente atingindo o roedor. O homem sobreviveu até hoje graças ao emprego das táticas de ratazanas: desde morar em cavernas, favelas, prédios de oitocentos andares até morar em esgotos; desde comer a carne animal - pútrida e fétida - até a própria carne, quando sente fome.

Assim sendo, BUÊ lança aqui um manifesto: viva o Rattus Rattus, o Rattus norvegicus e o Mus Musculus, redentores da civilização. Que os roedores desapareçam para aniquilar a raça humana. Só assim o mundo seria mais belo.

Mas enquanto o fim não vem, fica para amanhã outras idéia-otas sobre "Os Ratos" - se não chover e acabar com a energia que alimenta o maldito computador.

12.11.06

Morte


H A V E R Á U M T E M P O

E M Q U E O S I L Ê N C I O

S E R Á A V O Z D O M U N D O.

Buê/1975

11.11.06

Mais pessimismo... agora num pretenso poema, sem nome.


Inverno no inferno natural.
Traços de passos cansados
Arrastam-se lerdos
Por rumos enigmáticos.
Nem bebe do sol sua luz amarela.
Objeto andante
Ausenta-se indo.
Evanescente,
Esquece que existe.
É velho,
É resto de alguma coisa.

Buê/1974

10.11.06

O otimista não vê a realidade.

"Israel mata 8 crianças em Gaza, e Hamas cobra revide".
Matéria da Folha de São Paulo, em 09/11/2006. A mídia fatura com as desgraças... portanto o pessimismo está na moda.
Como não ser pessimista diante da realidade cruel que nos rodeia?
"Homem observa corpos de uma mulher palestina e de duas filhas dela, vítimas do ataque israelense em Beit Hanoum, em Gaza." E todos observamos pelo ângulo da câmera do fotógrafo Salem. Agora que a foto nos mostrou a cena, feche os olhos e sinta o cheiro de morte que envolve o ambiente, toque no sangue colado aos corpos inertes e na pele macilenta das vítimas e finalmente ouça a tristeza que envolve o lugar. Veja, toque, ouça, cheire. Talvez assim, na observação de uma devastadora foto, possamos revelar nossa perplexidade e gritar: CHEGA DE TODAS AS GUERRAS.
Outras fotos virão de vítimas inocentes, pois o revide, próprio do homem, virá inexoravelmente.
Não há como não estar no extremo do pessimismo e concluir que dá vergonha de/do ser humano.
Completando minhas preferências que não aparecem no perfil deste blog, apesar de anotados:
- Livros: Todos... obviamente somente aqueles de Kafka.
- Sobra um pouco de favoritismo para "Os Ratos" de Dyonelio Machado - genial.

7.11.06

O não existir: a única liberdade.


Ele consultou a passagem da bíblia em que o mundo acabaria, como sua vida estava acabando. As palavras fluíam das páginas e como brasa queimavam sua face. A face da morte idealizada e a face da morte real e inevitável, lado a lado. Sentia que seu corpo doído e mutilado era mantido pelo aparelhamento técnico na sala branca do hospital que contava minuciosamente em números seu sofrimento. Somente seus olhos chamuscavam uma centelha de vida e buscavam no quarto sua vida que se esvaía.
Como numa tela de cinema, o teto branco refletia imagens de outrora.
- Roberto, vem almoçar. A comida vai esfriar e precisamos sair.
Seus olhos eram seus ouvidos. Somente as imagens resplandeciam coloridamente na alvura do teto. E tais imagens eram de uma mulher ainda vigorosa que trabalhava incessantemente pelo menino que brincava sem preocupações. Os negros cabelos presos eram uma moldura para um rosto maquiado com discrição. Lembranças de um tempo despreocupado.
Após o almoço, ele e a mãe saíram para visitar o pai que estava internado no hospital, tal como ele, agora. Quando das visitas, que eram bem rápidas, a mãe explicava-lhe a situação aflitante do pai. Mas ele dava de ombros. Não se preocupava, pois as palavras da mãe sempre eram de ternura, de aconchego, de amparo, de carinho.
- Roberto, a morte é uma passagem que nos leva para um lugar melhor do que este.
E para ele a existência de um lugar melhor do que este, tanto melhor, pois sua vida era maravilhosa. O pai faleceria em poucos dias, sem sofrimento, sem maiores dores.
Aquelas palavras da mãe cristalizaram-se em sua mente e durante toda a sua vida não se preocupou em buscar sentido para a vida, simplesmente vivia, mesmo com a morte de entes queridos. Mas agora sua vida estava se esvaindo e a dúvida o assombrava: como seria o outro lado? Melhor? Como dizia a mãe?
Nos velórios sentia-se como se aquele lugar não fizesse parte do mundo real. Era um apêndice da vida. O defunto jazendo inerte no meio da sala, ora com visitas, com vozes, choros, rezas; ora rodeado pelo silêncio absoluto de uma sala vazia e iluminada. Em poucas horas se renovaria o morto. E a sua hora estava chegando.
De repente, seus olhos pressentem um burburinho na sala. Os aparelhos endoidaram e a medicaiada está ao seu lado. Não consegue atinar para o que ocorre. Seus olhos buscam respostas. Sente no peito mãos que o apalpam vigorosamente. Sua respiração é lenta e lentamente as imagens vão desaparecendo e o negrume vai tomando conta de sua mente. Ele morre com as mãos às páginas rasgadas da bíblia que se espatifa pelo chão.

4.11.06

A morte pela TV



Ao vivo pela TV e no dia seguinte...
Ele apareceu em manchete na Folha.
Seu semblante irradiava raiva, medo, desesperança, fim.
Incendiou a matança e morreu.
Sua voz inaudível eterna-se num filme, triste filme.
Protagonista de uma história que não acaba nunca:
A violência, sempre.