O HOLOCAUSTO BRASILEIRO

Ah... Meu pessimismo e ateísmo estavam, vamos dizer, arrefecidos... Coube à "cordialidade" do brasileiro acordá-los. Barbacena nunca mais!

Leituras que fortalecerão o nosso pessimismo.

  • "As Intermitências da Morte" de Saramago
  • "Os Ratos" de Dyonélio Machado

13.8.20

Do meu ponto de vista e das atitudes do Bolsonaro ele é um boçal.

 

Rinaldo, tudo bem? Prazer voltar a me comunicar com você. A defesa que você faz do Bolsonaro, recorrendo constantemente a exemplos do passado, me parece esdrúxula, e eu compreendo, você votou no Capitão. E para defender o seu voto você defende o indefensável.

Mesmo assim, eu volto, como você, ao passado e me deparo com o seguinte:

1)    Jair, o homem de caráter, cristão, temente a deus, e Queiroz, aquele das “rachadinhas”, militar, amigo do Jair e assessor do filho Flávio abasteceu a conta de Michelle  (“a primeira dama”) no passado. Tudo provado, sem questionamentos, e que eu considero atos corruptos.

2)    Jair, o homem de caráter, cristão, temente a deus e defensor árduo da “famiglia” é visto em fotos com milicianos defendidos e empregados pelo seu filho Flávio.

3)    Jair, o homem de caráter, cristão, temente a deus fez, faz e fará sempre a apologia das armas nas mãos da população, como se isso fosse salvar “a pátria amada e o seu povo varonil”.

4)    Jair, o homem de caráter, cristão, temente a deus, tratou, trata e tratará as mulheres como seres inferiores. Tudo provado com imagens do próprio paraquedista em rede nacional de televisão. Parece até que ele não tem mãe (será?).  Em outra ocasião o piadista afirmou: “Eu tenho cinco filhos. Foram quatro homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”. Frase que ficará para a posteridade e que sua filha vai ouvir em alguma ocasião de sua vida.

5)    Jair, o homem de caráter, cristão, temente a deus, defensor da ditadura (ela existiu, viu!) e defensor da tortura como política de estado praticou atos de sabotagem quando na vida militar e por questões “desconhecidas” não foi expulso do exército. Está tudo provado, sem questionamentos.

6)    Jair, o homem de caráter, cristão, temente a deus, foi eleito em 1988 à Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro pelo Partido Democrata Cristão (PDC), a seguir foi eleito deputado federal pela mesma sigla. Nos quatro mandatos seguintes, passou pelo Partido Progressista (PP), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) do hoje aliado Roberto Jefferson, Partido da Frente Liberal (PFL atual DEM), Partido Social Cristão (PSC), Partido Social Liberal (PSL) e atualmente procurando mais um partido para se acomodar. Se adaptando às circunstâncias mais interessantes ($$$) neste longo mandato, ele tipificou em seu principal projeto de lei (será que foi o único?) o roubo de carro – um delito contra o patrimônio – como crime hediondo. Mais boçal, impossível.

7)    Jair, o homem de caráter, cristão, temente a deus, numa atitude real de homofobia disse: “Seria incapaz de amar um filho homossexual. Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí”.

8)     Jair, o homem de caráter, cristão, temente a deus, em rompante racista, afirmou: “Não corro o risco de meus filhos se relacionarem com uma mulher negra ou com homossexuais, pois eles foram bem-educados”.

Estão aí, Rinaldo, no passado somente algumas atitudes conhecidas e documentadas que me levam a considerar o Bolsonaro um boçal.

Todos nós temos uma história de vida, alguns com caráter, íntegros, honestos, com pensamentos de direita ou de esquerda, outros sem caráter, oportunistas, desonestos, mentirosos, com pensamentos de direita ou esquerda. Lamentavelmente Bolsonaro se enquadra na segunda afirmativa.

Rinaldo, por favor, defenda sempre o seu ponto de vista mas preste muita atenção nos fatos que o rodeiam... e se esclareça com leituras em especial de História. Nunca foi tão fácil com a internet.

E obrigado por me incitar a responder ao seu questionamento.

Um abraço.

5.8.20

H I R O S H I M A... NUNCA MAIS...?

O Último Trem de Hiroshima  - Charles Pellegrino

Oito e quinze da manhã de seis de agosto de 1945.
Hiroshima e o inferno de Dante nas palavras de Charles Pellegrino em "O último trem de Hiroshima"

"A bomba tinha vaporizado a água do rio e dos lagos em toda a extensão de Hiroshima. Num
raio de dois quilômetros, as folhas perderam uma porção substancial da umidade, como
também a perderam pássaros e grilos, e cada folha de grama, cada soldado e cada criança que
estiveram ao ar livre. Todos os vapores acumulados da cidade foram içados para as camadas
inferiores da estratosfera; quando esfriaram, condensaram e começaram a cair.

A chuva era negra porque tinha se misturado à fuligem na estratosfera de Hiroshima e aos
produtos de fissão da nuvem. Mesmo com meias-vidas de apenas alguns minutos, quaisquer
goles de chuva negra ingeridos entre as 8h30 e 8h45 daquela manhã eram capazes de
transmitir, nas sete horas seguintes, pelo menos a metade da dose de DNA necessária para
matar."

11.3.20

O REI DAS TEORIAS... FURADAS.


24.2.20


13.2.20

   NO BRASIL TEMOS O MAIOR PROGRAMA DE DISTRIBUIÇÃO DE RENDAS DO MUNDO: O BOLSA BANQUEIRO.
    EM 2019 O LUCRO LÍQUIDO OBTIDO PELOS QUATRO MAIORES BANCOS DO PAÍS SOMOU ESTRATOSFÉRICOS  R$ 
84,411 BILHÕES:
==> SANTANDER: 14,18 BILHÕES
==> BRADESCO: 25,8 BILHÕES
==> ITAÚ: 26,583 BILHÕES
==> BB: 17,848 BILHÕES.

19.1.20

12.8.19

“Num único dia, Bolsonaro mente sobre todos os assuntos possíveis, da maior gravidade – desmatamento na Amazônia, fome no Brasil, assassinatos no regime militar – e, 24 horas depois, tudo segue normalmente, inclusive a demissão das pessoas que, dentro do governo, rebatem suas mentiras.
No Brasil da família Bolsonaro, só existe uma medida de realidade, a dele. O presidente-ditador-rei diz o que quer e manda punir quem o desdiz.
Qual é o nome desse tipo de regime? Tirania.”
Cláudio Viola Pinheiro

27.2.19



10.11.18

Se tiver algum tipo de pudor, não leia o texto, tampouco o livro.


Resultado de imagem para imagem do livro a mulher que escreveu a bíblia    "Como os profetas, eu estava vendo, com meridiana clareza, o que aconteceria daí em diante,  não nos meses seguintes, mas nos séculos seguintes; um relato que poderia dar origem a muitos livros (e eu até imaginava um nome para esses livros, um nome grego, porque grego seria uma língua importante: Bíblia). Animada por uma força misteriosa minha mão escrevia, escrevia febrilmente. No caso do rei: o que poderia suceder a um fescenino babaca que ficava na cama com uma estranha, fodendo e recitando o Cântico dos cânticos, enquanto conspiravam para liquidá-lo? Se escapasse aos punhais continuaria construindo santuários e mais santuários, cultos e mais cultos brotando como cogumelos no esterco, na imundície na qual rolava com as mulheres a quem estava submetido por conta de sua fraqueza, de sua vaidade. O castigo seria inevitável; um castigo que, para seguir o tom geral do texto, eu chamaria de divino: "Então", escrevi, "o Senhor se irritou contra Salomão, porque este desviou o coração do Deus de Israel que lhe tinha ordenado não seguir deuses estranhos. E disse: 'Já que sabias disto, mas não observaste a aliança e os decretos que te impus, vou arrancar de ti o reino para entregá-lo a um dos teus servos. Contudo, em atenção a teu pai Davi, não o farei durante tua vida. Só o arrancarei da mão de teu filho". Narrei em seguida como um revolta, ocorrida no reinado de Roboão, filho de Salomão, dividiu o reino em dois. Descrevi esses reinos dilacerados por conflitos; falei sobre o desespero de profetas que, como eu, tentavam alertar governantes contra perigos da impiedade. Antecipei a ocupação da região por grandes potências estrangeiras, a última das quais senhora de um vasto império e o sofrimento do povo oprimido pelos mandatários estrangeiros, contrastando com a vida regalada dos seus aliados, os sacerdotes do Templo e os potentados locais. A resposta a esse situação só poderia ser a revolta - como a do pastorzinho - mas também o nascimento de uma nova religião. Nela, o Jeová enigmático, autoritário, seria substituído por um Deus-Pai, todo-poderoso, sim, mas ao mesmo tempo misericordioso. E haveria um Filho, com quem as pessoas poderiam se identificar em sua aflição; esse Filho, sob forma humana, pregaria o amor e as justiça, realizaria milagres, curaria enfermos - eu estava lembrando o desespero de minha amiga Mikol, doente e sem ter a quem recorrer. Naturalmente seria sacrificado pelos representantes do Império e seus cúmplices locais, mas ressurgiria de entre os mortos e ascenderia aos céus. Ah, sim, este Filho teria uma Mãe, uma figura feminina muito diferente da Eva ou mesmo das matriarcas (ou da minha omissa genitora), uma Mãe que seria o símbolo da bondade, uma figura feminina mediante a qual os fiéis poderiam apelar ao Pai e ao Filho. A Trindade se completaria com um Espírito Santo, simbolizado por uma ave - não os corvos com quem Salomão gostava muitas vezes de conversar, mas por um puro e inocente pombo, muito diferente dos pombos do palácio, neles incluído os portadores de almas penadas. Em vez de um Templo central, com seus custosos sacrifícios, surgiriam milhares de templos, grandes e pequenos, ricos e pobres, onde todos poderiam comparecer sem problemas, sem oferecer sacrifícios; sacerdotes ouviriam as pessoas e absolveriam seus pecados, livrando-as de nossa milenar culpa. O papo de Povo Eleito acabaria, a nova religião procuraria conquistar adeptos entre todos os povos, terminando inclusive com aquela história de se distinguir dos outros pela circuncisão. Diante da amplitude dessa nova religião, a glória de Salomão simplesmente seria eclipsada."


in Moacir Scliar, "A mulher que escreveu a Bíblia", pag. 151/2, Ed. Cia. das Letras, 6a. edição, 2007.

10.8.17

Little Boy em Hiroshima; Fat Man em Nagasaki.

FAT MAN: COMO UM HOMEM GORDO FEZ DESAPARECER 40.000 PESSOAS EM UM ÁTIMO DE TEMPO.



29.5.17

O nascimento de deus como uma grande idéia de negócio na história humana.

     "Os agricultores acreditavam em histórias sobre deuses grandiosos. Eles erigiam templos ao deus de sua preferência, organizavam festivais em sua homenagem, ofereciam-lhe sacrifícios e davam-lhe terras, dízimos e presentes. Nas primeiras cidades da antiga Suméria, cerca de 6 mil anos atrás, os templos não eram apenas locais de culto; eram também os mais importantes centros políticos e econômicos. Os deuses sumérios preenchiam uma função análoga à das modernas marcas e corporações. Hoje, corporações são entidades ficcionais legais que possuem propriedades, emprestam dinheiro, contratam empregados e lançam empreendimentos econômicos. Nas antigas cidades de Uruk, Lagash e Shurupak, os deuses faziam as vezes de entidades legais que podiam ser proprietárias de campos e escravos, dar e receber empréstimos, pagar salários e construir represas e canais.
      Como deuses nunca morrem, e como não têm filhos para disputar sua herança, eles acumularam cada vez mais propriedades e poder. Um número crescente de sumérios viu-se trabalhando para os deuses, tomando empréstimos junto a eles, cultivando suas terras e devendo-lhes impostos e dízimos. Assim como na San Francisco de hoje João é empregado da Google, enquanto Maria trabalha para a Microsoft, na antiga Uruk uma pessoa era empregada pelo grande deus Enki, ao passo que sua vizinha trabalhava para a deusa Inana. Os templos de Enki e de Inana dominavam a linha de horizontes de Uruk, e seus logotipos divinos eram a marca de prédios, produtos e roupas. Para os sumérios, Enki e Inana eram tão reais quanto o Google e a Microsoft são reais para nós. Comparados a seus antecessores - os fantasmas e espíritos da Idade da Pedra -, os deuses sumérios eram entidades muito poderosas.
    Nem é preciso dizer que os deuses efetivamente não conduziam seus negócios, pela simples razão de que não existiam exceto na imaginação humana. As atividades cotidianas eram administradas pelos sacerdotes do templo (assim como o Google e a Microsoft têm de contratar humanos de carne e osso para gerenciar seus negócios). Contudo, à medida que os deuses adquiriam mais propriedades e mais poder, os sacerdotes já não eram mais capazes de dar conta. Ainda que representassem o poderoso deus do céu ou a onisciente deusa da terra, eles mesmos eram mortais falíveis. Era difícil lembra quais eram as propriedades, pomares e campos que pertenciam à deusa Inana, quais dos empregados já tinham recebido seus salários, quais inquilinos deixaram de pagar o aluguel e que taxas de juros a deusa cobrava de seus devedores. Esse foi um dos principais motivos pelos quais na Suméria, como em qualquer outra parte do mundo, as redes de cooperação humana não puderam se expandir significativamente, mesmo milhares de anos após a Revolução Agrícola. Não havia reinos enormes, nem extensas redes de comércio, nem religiões universais.
    Esse obstáculo foi afinal removido há aproximadamente 5 mil anos, quando os sumérios inventaram a escrita e também o dinheiro. Esses irmãos siameses - nascidos dos mesmos pais, ao mesmo tempo e no mesmo lugar - acabaram com as limitações de processamento do cérebro humano. A escrita e o dinheiro possibilitaram que se começasse a coletar impostos de centenas de milhares de pessoas, a organizar burocracias complexas e a estabelecer amplos impérios. Na Suméria, esses reinos eram administrados em nome dos deuses por sacerdotes-reis humanos. No vizinho vale do Nilo deu-se um passo à frente, com a fusão do sacerdote-rei com o deus e a criação de uma deidade viva - o faraó."

Homo Deus - Uma breve história do amanhã, de Yuval Noah Harari, pag. 165/166, Companhia das Letras, 1a. edição, 2016.

14.2.17

BRASIL-COLÔNIA, 1942, 1976, 2017: A FORMAÇÃO DO BRASIL QUE NUNCA TERMINA.


          O trecho abaixo foi extraído das páginas números 285 e 286, 14a. edição, Editora Brasiliense, 1976, do livro Formação do Brasil Contemporâneo, escrito por Caio Prado Júnior, em 1942. 
          Caio Prado revela um Brasil que não consegue desconectar-se de seu passado colonial e segue a sua evolução por "arrancos" em que cada passo avante há que retroceder outros dois, deixando rastros de destruição do que foi construído com o suor de seus habitantes. Foi assim um retrato do Brasil-colônia; foi assim um retrato da época em que o livro foi escrito, 1946, com Vargas; foi assim com a época em que este exemplar foi impresso, 1976, com a ditadura militar e finalmente é assim com o que vivemos hoje, 2017, com Temer. Qualquer momento histórico que visualizemos, os "arrancos" de que fala Caio Prado ali estará presente.
         Somos ainda uma colônia, colônia de nós mesmos.

    "Um último fator, finalmente, traz a sua contribuição, e contribuição apreciável de resíduos sociais inaproveitáveis. É a instabilidade que caracteriza a economia e a produção brasileira e não lhes permite nunca assentarem-se sólida e permanentemente em bases seguras. Em capítulo anterior já assinalei esta evolução por arrancos, por ciclos em que se alternam, no tempo e no espaço, prosperidade e ruína, e que resume a história econômica do Brasil-colônia. As repercussões sociais de uma tal história foram nefastas: em cada fase descendente, desfaz-se um pedaço da estrutura colonial, desagrega-se a parte da sociedade atingida pela crise. Um número mais ou menos avultado de indivíduos inutiliza-se, perde suas raízes e base vital de subsistência. Passará então a vegetar à margem da ordem social. Em nenhuma época e lugar isto se torna mais catastrófico e atinge mais profunda e extensamente a colônia, que no momento preciso em que abordamos a nossa história, e nos distritos da mineração. Vamos encontrar aí um número considerável destes indivíduos desamparados, evidentemente deslocados, para quem não existe o dia de amanhã, sem ocupação normal fixa e decendente remuneradora; ou desocupados inteiramente, alternando o recurso à caridade com o crime. O vadio na sua expressão mais pura. Os distritos auríferos de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso oferecem tal espetáculo em proporções alarmantes que assustarão todos os contemporâneos. Uma boa parte da população destas capitanias estava nestas condições, e o futuro não pressagiava nada de menos sombrio."

10.8.16

PRESERVAÇÃO X DEVASTAÇÃO

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DEVASTAÇÃO